O mês de agosto é marcado pelo Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. Mais do que chamar atenção para as agressões físicas, a mobilização busca ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de violência, fortalecer a rede de proteção e mostrar que pedir ajuda pode ser o primeiro passo para romper um ciclo que, muitas vezes, permanece escondido por anos.
Os números mostram a dimensão do problema. Dados do Ministério das Mulheres apontam que o Ligue 180 recebeu 155.111 denúncias de violência contra mulheres em 2025, uma média de aproximadamente 425 registros por dia. No primeiro trimestre de 2026, foram 45.735 denúncias, número 23% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
A violência psicológica foi a ocorrência mais registrada pelo canal em 2025, com mais de 339 mil violações relatadas. Também foram registrados casos de violência física, patrimonial e sexual, entre outras formas de agressão. Uma mesma denúncia pode envolver mais de um tipo de violência.
Violência também é uma questão de saúde
Os impactos da violência podem ultrapassar as marcas físicas. Mulheres submetidas a situações de agressão podem apresentar consequências para a saúde física e emocional, além de prejuízos à vida familiar, profissional e social.
Por isso, reconhecer os sinais e buscar apoio são medidas fundamentais. A violência pode se manifestar por meio de agressões físicas, ameaças, humilhações, controle, perseguição, violência sexual, retenção ou destruição de bens e recursos financeiros, entre outras condutas.
Outro dado reforça a necessidade de atenção: no primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou 741 feminicídios, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Para o presidente do CIMSA, Jorge Molina, levar informação à população também faz parte do compromisso das instituições públicas com a promoção da saúde e a proteção das pessoas.
“Quando falamos em saúde, precisamos olhar para a pessoa de forma integral. Uma mulher que vive uma situação de violência também precisa de acolhimento, orientação e acesso à rede de proteção. O Agosto Lilás nos lembra que informação pode ajudar alguém a reconhecer uma situação de violência, procurar ajuda e mudar a própria história”, destaca Molina.
Conhecer os canais de apoio também é proteção
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço oferece orientação sobre direitos e sobre a rede de atendimento, além de receber e encaminhar denúncias aos órgãos competentes.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
O CIMSA reforça neste Agosto Lilás uma mensagem que precisa chegar a toda a sociedade: violência contra a mulher não deve ser normalizada nem silenciada. Informação, acolhimento e acesso à rede de proteção podem salvar vidas.